
O Sagrado Coração prometeu graças especiais as famílias que lhe prestassem culto domestico. Ainda que estas promessas sejam feitas também as famílias religiosas, é certo que dizem particular respeito às famílias seculares e aos cristãos que vivem no século. Quem não admirará a compadecida bondade e a condescendência misericordiosa do nosso divino Salvador? Sabendo que as pessoas do século são muitas vezes perturbadas pelos cuidados e inquietações dos negócios temporais, e que as preocupações terrestres as expõem frequentemente a descuidar a salvação eterna, não se contentando com lhes ter aberto o seu Coração divino como fonte de graças sobrenaturais, apresenta-lho ainda como o princípio dos próprios bens temporais.
“O Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, escreve a Santa, confirmou-me que o prazer que sente de ser amado, conhecido e honrado das suas criaturas é tão grande que me prometeu:”
“1. Que as pessoas seculares achariam, por meio desta amável devoção, todos os socorros necessários ao seu estado, quere dizer;
2. A paz nas famílias. Prometeu-me que por este meio uniria as famílias desunidas. Nosso Senhor quere grande caridade para com o próximo; quere que lhe peçamos pelo próximo como por nós mesmos; porque um dos efeitos particulares desta devoção, é unir os corações desunidos e pacificar as almas;
3. A consolação nas misérias;
4. O alívio nos trabalhos. Prometeu proteger e socorrer as famílias que estiverem em qualquer necessidade e que se dirigirem a ele confiadamente;
5. As bênçãos do Céu em todas as empresas;”
“É verdadeiramente neste Sagrado Coração que elas acharão o seu refúgio durante a vida e principalmente à hora da morte.”
Quais são as condições que as famílias devem cumprir, para ter parte nestas promessas, especialmente a respeito das empresas?
É preciso fazer algumas observações muito importantes sobre estas promessas:
1. Por esta expressão geral: todas as empresas, Nosso Senhor indica que se não trata unicamente de obras espirituais, mas também de empresas temporais, comerciais, industriais, etc.
2. Nosso Senhor não promete o bom êxito das empresas, mas “as suas bênçãos nas empresas.” Daqui resulta que, se o bom êxito das empresas há-de ser de obstáculo a outros interesses superiores, sobretudo ao estabelecimento do seu amor na almas e nas famílias, o divino Salvador concederá, não as bênçãos que faziam as empresas bem sucedidas, mas aqueles que maior bem espiritual e mesmo temporal dariam aos seus servos.
3. De mais, esta promessa supõe, que as empresas terão as condições pedidas pela razão e pela fé, quere dizer, que serão justas, úteis, feitas com sabedoria, prudência e sobretudo com desinteresse, sem espírito de ambição e de cobiça, mas com intenção pura e sobrenatural.
4. Finalmente, para participar das bênçãos divinas prometidas, é preciso que aquele que se meter nas empresas, tenha devoção sincera ao Coração de Jesus, e que implore o auxilio deste divino Coração por meio de oração confiada, humilde e perseverante.
Estas observações bem entendidas serão suficientes para tirar o espanto de certas pessoas, vendo mal sucedidas as empresas confiadas ao Coração de Jesus. Este Divino Coração permite estes revezes, por efeito particular da sua grande misericórdia e para maior bem das famílias e dos indivíduos. Muitas vezes estes infortúnios são causados por vícios ocultos, que tornam as empresas desagradáveis ao Coração de Jesus, e daí prejudiciais aos seus autores.
Os irmãos de Santa Margarida Maria, muito dedicados ao Coração de Jesus, foram os primeiros que sentiram os salutares efeitos destas promessas, quer no espiritual quer no temporal. “Bendizei o Sagrado Coração, que inspirou a meus irmãos, que se dedicassem a amá-lo e a honrá-lo, escrevia a Santa à Madre de Saumaise, no mês de agosto de 1689. Mal posso dizer a mudança que este divino Coração operou naquela família; eles me afirmaram que estariam prontos a dar a última gota de sangue, para sustentar e aumentar esta santa devoção.
Felizes das famílias que se dedicarem sinceramente ao Coração de Jesus! Estas casas serão os santuários da paz, os vestíbulos onde os seus membros se prepararão pela fidelidade aos seus deveres para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmos, para entrar na casa do Céu.